sexta-feira, 30 de abril de 2010

' o vento vai dizer.

O vento trouxe o cheiro da chuva e as lembranças de coisas que nunca aconteceram.
Não quis se avisar disso. Fingiu nostalgia, encheu o peito de esperança, de alegria, de azul, de céu, de vento, de bem-querer.
Ouviu uma música que nunca ouvira e nem sabia se estava realmente a tocar.
Quis mergulhar, se molhar, rasgar a blusa, correr na grama.
Flutuar, e quem sabe até amar. 

E então, por um momento quis morrer, teve medo de não saber ser assim.

sábado, 24 de abril de 2010

desvanecer.



Se esvaziava todas as manhãs, colocava tudo no lixo.
Já não se importava com mais nada,
essa coisa de não precisar de pessoas a deixava feliz.

sexta-feira, 23 de abril de 2010

ter.



Ele acreditava e tinha esperança.
Ela não.
Talvez, em segredo, ele fosse a esperança dela.
Esperança de olhar acalentador e sorriso macio.
De abraço sempre cheio de saudade, e de conversas sem pressa.
Esperança que a mantinha ali, acordada e viva, mesmo sem saber acreditar.